Para construir ou interpretar devidamente um texto, os conectores se comportam da mesma maneira que a argamassa, em relação aos tijolos, na construção de um muro.

 

Para que um texto tenha “aspecto de texto”, são necessários estudos sérios, treinamentos constantes e aplicações corretas dos conectores. Para construir ou interpretar devidamente um texto, os conectores se comportam da mesma maneira que a argamassa, em relação aos tijolos, na construção de um muro. O uso inadequado de um conector pode comprometer a intenção do autor em sua produção textual. E a ausência dos conectores transmite a impressão de que o texto passou a ser uma sequência de frases sem nexo entre si, como se tijolos sobrepostos e soltos fossem.

Os conectores (basicamente, as conjunções, pronomes relativos e preposições) são um importante recurso coesivo que dá unidade ao texto, um dos principais fatores interpretativos da gramática textual. Note um exemplo de frase sem conectores e, na sequência, uma versão da mesma frase com conectores:

Sem os conectores

A bioética de intervenção preconiza as políticas de saúde e as de caráter social. Elas atenderiam mais a coletividade, visam ao bem comum. São baseadas no princípio da justiça e na distribuição justa de benefícios. Seria mais adequada para lidar com problemas sociais. A bioética principialista tem cunho individualista, possui foco na autonomia. Os exageros relacionados à autonomia podem constituir fatores de obstrução do uso coletivo dos bens comuns à comunidade.

Com os conectores

A bioética de intervenção preconiza as políticas de saúde e as de caráter social as quais atenderiam mais a coletividade com vistas ao bem comum com base no princípio da justiça com distribuição justa de benefícios. Seria mais adequada para lidar com problemas sociais. Quando confrontada com a bioética principialista, observa-se que esta tem cunho individualista, sobretudo quando focada na autonomia em que os exageros podem constituir fatores de obstrução do uso coletivo dos bens comuns à comunidade.

Empregue corretamente os conectivos (como importantes recursos formadores de elos entre os constituintes textuais), evitando, destarte, formas consagradas apenas pelo uso coloquial, como “na medida que”. O correto, segundo o padrão culto, deve ser à medida que ou na medida em que.

Na medida que – uso inadequado

À medida que – uso adequado, com valor proporcional.

Na medida EM que – uso adequado com valor causal ou explicativo.

O trânsito ficou pior, na medida em que não se investe em transporte público de qualidade. (na medida em que = pois)

É deveras importante a análise do valor semântico das conjunções, para que se evitem falhas. Devido à semelhança gráfica, algumas conjunções são alvo de confusão por parte dos concurseiros. Por exemplo, porquanto tem valor causal (é igual a porque e não aportanto); posto que e conquanto tem valor concessivo (igual a embora, apesar de que);contanto que é locução conjuntiva condicional.

A locução posto que é, geralmente, empregada inadequadamente com valor de porque. Na verdade, o conector posto que equivale a embora. Note um uso inadequado de tal expressão

Passei no primeiro concurso ao qual me candidatei, posto que estudei com seriedade. (uso incorreto).

Os conselhos citados na presente trilogia são de extremo valor para que uma Redação seja competente aos olhos da banca examinadora; contudo, o candidato não pode deixar de estudar e aprimorar as questões estruturais de seu texto (introdução, desenvolvimento e conclusão), a coesão textual, as estratégias argumentativas, o uso dos conectores lógico-discursivos, os critérios de legibilidade, a semântica, a produção correta de um rascunho e, principalmente, deve treinar, treinar e treinar.

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