No texto de hoje, o segundo da trilogia, orientações acerca do uso dos sinais de pontuação, um recurso importantíssimo, o qual dá essência a um texto.

Em relação à pontuação, um erro muito presente nas dissertações pelo Brasil é o mau uso da vírgula. A principal regra de vírgula proibida deve ser levada como lei (ou como um mandamento) para a prova: “Não se usa vírgula isolada separando os itens do SVC”. Ou seja, não se separa por vírgula o sujeito do verbo, o verbo dos complementos e o núcleo de seus adjuntos adnominais, mesmo que haja uma leve pausa entre a pronúncia de tais elementos. Fato importante a se observar é que tal proibição também se aplica à relação entre Oração Principal e Oração Subordinada, visto que esta é apenas uma espécie de termo que exerce função naquela; logo, também não poderá ser isolada por vírgula. “Ele disse, que estava muito calor”. (vírgula mal empregada, entre o verbo e o seu complemento).

Observe a frase: “No último domingo, diversas manifestações ocorreram pelo Brasil.” A vírgula, nesse caso, trabalha como elemento de preservação da ordem direta, visto que isola elemento que “desrespeita a ordem direta”. O termo “No último domingo” foge à sua posição natural e aparece deslocado.

Para que o SVC fosse empregado de forma plena, a oração começaria com o sujeito “diversas manifestações”. Todavia, o elemento que inicia o texto é o adjunto adverbial (que expressa circunstância de tempo), isto é, ele não se encontra na sua posição natural (em relação à ordem direta): o final da oração. O isolamento dos adjuntos adverbiais por vírgula pode ser facultativo ou obrigatório, a depender da quantidade de palavras que existem em seu interior. Com uma ou duas palavras, a vírgula é opcional. Com mais de duas palavras, a vírgula se faz obrigatória.

Dentro do aspecto sintático, as vírgulas também separam itens de uma enumeração (elementos coordenados). Costumo dizer aos alunos que essa vírgula é a que ninguém erra. Exemplo: O acordo foi assinado por Portugal, Brasil, Moçambique, Angola. Note que a enumeração deve ser isolada por vírgula e não há ninguém com bom senso no mundo que imagine tais elementos sem a presença de vírgulas.

Há também situações textuais em que a vírgula pode ser substituída por outros sinais de pontuação, a saber: travessões, dois-pontos, parênteses, ponto-e-vírgula. É-se sugerido que o produtor do texto diversifique o uso desses sinais; com isso, convencerá a banca de que domina os mais variados recursos linguísticos de pontuação.

Não se esqueçam de isolar com vírgula (ou travessão) elementos explicativos:  isto é, ou seja, por exemplo, apostos explicativos (Brasil, o país do futebol, vem passando por dificuldades.), adjetivos explicativos, orações adjetivas explicativas (Todos aplaudiram o discurso, que convenceu os presentes). Bem como isolar com vírgula conjunções conclusivas e adversativas: logo, portanto, então, pois, porém, no entanto, entretanto, contudo, todavia. Tal uso, segundo os gramáticos é facultativo quando as conjunções iniciam suas orações e obrigatório quando elas estão deslocadas.

Um texto bem pontuado permite ao leitor (examinador) uma leitura cadenciada. Embora ela não tenha a ver com a respiração, lê-se melhor um texto com os sinais de pontuação bem empregados. Já experimentou ler um texto sem pontuação? É algo caótico, falta ar. Quanto mais o candidato treinar (lendo ou escrevendo), melhor saberá pontuar o seu texto.

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