Deixando claro que o preconceito linguístico é algo a ser combatido, uma coisa é certa: quanto menos contato com o mundo letrado, mais os cidadãos veem as portas das oportunidades se fechando.

Em um país continental como o Brasil, com as desigualdades intermináveis que aqui nós temos, seria uma utopia pensar que todos os cidadãos brasileiros produzissem a linguagem da mesma maneira. É inviável imaginar que todos tenham o mesmo acesso ao Português-padrão – diante de toda a crise social e educacional com que o Brasil sempre foi acostumado a conviver -,  embora saibamos que exista um padrão de linguagem. Todos consideram a nossa democracia jovem, algo recente; contudo, o tempo está passando, o jovem já está se tornando um adulto e, sinceramente, nós – brasileiros – ainda não tivemos a chance de dizer, na nossa história: “Está tudo bem com a nossa educação! ”

Deixando claro que o preconceito linguístico é algo a ser combatido, uma coisa é certa: quanto menos contato com o mundo letrado, mais os cidadãos veem as portas das oportunidades se fechando. A questão é lógica: a Língua é o nosso grande cartão de visita. Tanto no âmbito oral, quanto no escrito, é impressionante o poder que tem a produção de uma linguagem formal (dita padrão) no mundo corporativo ou acadêmico.

Como exemplo, utilizarei o verbo “entreter”. Utilizado no sentido expresso no dicionário, ele significa “divertir-se”. No entanto, em ambientes de quase nenhuma formalidade ou de pouco contato com a norma, esse verbo é empregado de maneira bem diferente do correto. É muito comum ouvirmos a forma “interter”. Por exemplo, “Ele se interteu, eu me interti, nós nos intertemos”.

O verbo “entreter” faz parte de um grupo de verbos que derivam do verbo “ter” e, com isso, devem seguir o mesmo paradigma de conjugação deste verbo.

Eu tive – Eu entretive/ Ele teve – Ele entreteve/ Nós tivemos – Nós entretivemos.

A conjugação é praticamente a mesma, a diferença é que, como o verbo “entreter” (pronominal ou não) é um verbo derivado que possui o morfema “entre”, em todas as pessoas verbais surge o prefixo “entre” anteriormente ao verbo “ter”. O mesmo ocorre, inclusive, com outros verbos no Português: deter, conter, manter, obter.

Exemplos: Eles obtiveram, eu detenho, nós mantivemos…

Expor a forma correta é diferente de expressar preconceito em relação à forma “inadequada”. É preciso mostrar o correto, é preciso dar às pessoas a chance de conhecer a linguagem-padrão, sem desprestigiar sua forma de falar ou escrever. Diante das lições acima expressas, se uma pessoa foi, com a família, a um parque de diversões, ela não ficou “intertida”. Todos ficaram “entretidos”, falando corretamente, mais ainda. Conheça a norma-padrão, compartilhe conhecimento.

Não há comentários

Deixe um comentário